mary jane

Do I contradict myself? Very well, then. I contradict myself.

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Terra Blog

02.07.08

clichê, zodíaco e narcisimo

Hoje alguem me disse que eu era a mulher mais bonita da festa. ... Não encanta. Mas, confesso, que deslumbra.

04.06.08

ser ou não ser

O mundo virtual é muito doido (e eu provavelmente fui a última pessoa a perceber isso). Você pode ler uma pessoa inteira sem conhece-la. E cometer erros de interpretação, claro, do mesmo jeito que faria lendo gestos e intenção verbal. Mas se o corpo é uma criança cabeçuda, a linguagem é um adulto civilizado. Tudo que está publicado é release. O que pode e quer ser divulgado. Num certo sentido, muito menos o que somos e muito mais uma projeção de nós mesmos. Uma das verdades possíveis. A gente se enfia nesse labirinto infinito de claros e escuros e diz: quem sou eu. E nem precisa muito. Na verdade, meia dúzia de pistas banais. Brilho Eterno de Uma mente Sem Lembranças é um dos meus filmes preferidos. O que isso diz de mim? Que eu sou uma menina romântica? Eu gosto do estilo visual do Gondry? Eu queria ter cabelo laranja? Ou que eu tava de bom humor no dia em que fui ver o filme? Tire suas próprias conclusões equivocadas.

31.05.08

eu tô só acompanhando, sabendo que quem é de chegar, vai aparecer. Todo mundo em terra firme, me aparece um horizonte, daqueles que você nem achava que dava para ver na cidade grande. Ou até dava, de um ãngulo torto demais para entrar em foco. Fez foco com conteúdo e eu não entendi nada. Tinha um monte de asas mais compreensíveis do que essa. E aí, de repente, tá ela, arrastada. E eu fiz a maluca. e, assim como a maluca veio, ela foi embora...

08.05.08

Perdendo o amigo

- Que foi que você tá com essa cara de ressaca? – perguntou um amigo que, em plena sexta a noite, se admirava com a minha falta de ânimo. - Fui tomar cerveja ontem com uns amigos, cheguei tardão em casa. - Que amigos? – perguntou, franzindo a testa. Amigo, que é melhor amigo, sempre desconfia quando você fala de “uns amigos”, sem especificar o segmento, porque sabe que em algum momento você já se referiu a eles de alguma forma. - Uma amiga ia viajar e a gente fez um encontro – disse, fazendo pouco caso. Você podia parar por aí. Mas a essa altura seu amigo já ta com aquela cara inquiridora que significa: “sei...desenvolva....” Eu não pretendia nem zoar. As lições de humildade que a burro-velhice me ensinaram, fizeram eu segurar a língua por cerca de dez segundos. O que para mim já é um avanço, já que a ironia é a minha característica preferida. Fui obrigada a discorrer sobre o tema. Um amigo tinha aparecido uma gatinha nova. Só que a menina tinha 13 anos, 20 quilos, 1 metro e setenta de altura, 70 centímetros de cabelo alisado e dez de salto, num sapatinho com uma fivela de strass. De tanta tatuagem, parecia uma geladeira cheia de imã. Não vi mas tenho certeza que alguma delas era uma Hello Kitty. Pós-adolescente emo. De tomara-que-cai balonê roxo metálico. Num pé sujo. Bebendo Ismirnoff Ice. E falando sobre as amigas do Messenger. Meu Deus. É, isso mesmo, meu Deus! Se você é super puro de coração e não achou a descrição nada demais então procura outra pessoa para ler, eu sou má. E de mais a mais, pouco importa o que eu achei da menina. Ela, em absoluto, não é a questão. Só que, como quase tudo na vida, não faz sentido fora de seu contexto. Ridículo mesmo é o menino que tá com ela. Ou melhor, que apresenta aos amigos porque equívocos todo mundo comete. Na verdade, é até bem possível que ele enxergue o papel mas seja fanfarrão demais para achar isso um problema. Pagando de moleque num estágio que ultrapassa o charme e dá um pouco de preguiça. Minha cabeça é muito feita para alcançar esse nível de carência. - Você pode me dizer que porra um cara como ele tá fazendo com uma menina que nem essa? - perguntei ao meu amigo que faz cabala e já ultrapassou os 30, portanto, é um ser transcendente. - imagina, conheço. É do tipo que gosta de uma bucetinha distraída. Era isso. Uma boba, facilmente administrável, que ia dar para ele no minuto seguinte. Bucetinha distraída encerra a discussão.

28.04.08

odeio gente sem humor

Não era dada a destemperos. E tinha preguiça dos exagerados. Mas quando descobriu que tinha perdido um grande amor achou, pela primeira vez na vida, que podia de embarcar no sofrimento. Agora sim tinha motivo para chorar. Chegou a ouvir: você não é assim. Não, não era. Mas achava que estava no direito de se oferecer aos clichês. Escorregou pela parede do banheiro chorando, olhou a chuva pela janela chorando, assistiu a novela chorando. Rasgou fotos, escreveu textos, berrou canções. Fez uma tatuagem, um blog e serviço completo no salão. Deixou transparecer a tristeza por entre a carapaça endurecida. Não tinha costume de chorar suas pitangas ao alheio. Não. Mas achava que estava no direito. E de tanto direito virou uma chata que seu próprio senso de ironia era incapaz de aturar Ó mundo cruel: os amores acabam, as pessoas morrem, as crianças passam fome e o Bush é presidente dos EUA. Paciência. Nunca mais endosso a auto-comiseração.