
criado por jobrea
20:36:20Eu não tenho mais o fato – prometi que não abusaria mais daquela palavra cansada.
A bem da verdade, deveria mesmo era mudar de assunto, uma vez que a bruma se dissipou.
Cada canto encontrou sua esquina. Não há mais o que dizer.
Como sempre, falei mais do que deveria.
Você, como sempre também, engasgou e eu entendo.
E me alivio,
não tendo saúde para morrer mais uma vez.
Mas entristeço,
reprimindo novamente aquele cego pedaço de alma que incendeia o corpo todo de esperança. Ressaca de felicidade imaginada.
Exagero: os astros estão na posição certa.
Mas nem por isso, menos abatidos pela distância do sol.
Me forcei os caminhos cinzas,
e você, sempre preocupado, felicitou minha partida reticente.
E serão felizes, em seu desamor cheio de saudades.
Mas nunca tão felizes.
Sei bem porque não mudo de assunto.
Por que só a calorosa tela em branco me deixa lembrar de você.
Congelada em sentimentos proibidos e dias eternos,
rasgada em letras miúdas, persigo a próxima linha.
É a única maneira que tenho para permanecer.
Não tenho mais o fato mas tenho você dentro de mim.
E isso me basta, por enquanto.
Boa noite, meu amor,
Durma com o beijo que eu não te dei.

criado por jobrea
00:20:15Os dias de solidão me dão tempo e assunto.
Alerta ao aqui e agora da vida passante,
em movimento de rotação.
Estrangeira, em estado de gerúndio,
sem a confirmação material da minha expressão no mundo.
Minha casa é dentro de mim.
Escondida no escuro e exposta no word
e dele para o mundo das digressões virtuais.
Precisei perder o teto para achar o chão
e perder o controle para encontrar o caminho.
um caminho – que eu não sou mais menina.
E da ruína do projeto, encontrei o prazer da busca, a construção no erro e o amanhecer alaranjado das possibilidades.
Sempre a mesma esperança nos raios de sol.
Aqui no exílio, os ricos são mais ricos, e a burguesia se assume sem culpa. E eu, parte dela, presa nas dores fúteis do meu latifúndio.
E nas necessidades criadas pelo mundo que aprendi.
Dependente da alienação demasiadamente humana da tv por assinatura
E da sabedoria do Google
de bares, cinema e livros
alimentos da alma,
hedonismo classe média.
Posso viver perfeitamente sem isso
Mas não curto.
Preciso de um óculo branco: não tenho como fugir de mim.

criado por jobrea
12:14:36
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