23.09.07
Meet me in Mountak
A neve grossa caia em rajadas diagonais de vento. O vazio ecoava a solidão e a amargura do exílio. A temperatura conservava os mortos que viviam ali. Perdido no horizonte sem contorno, um chalé de madeira, caindo aos pedaços, manchava a imensa planície de tons de branco.
Há quanto tempo estaria ali? Tinha a impressão de estar vivendo um eterno presente, feito de instantes sucessivos de tristeza e consumido pela lembrança dos dias coloridos.
Havia se recusado a partir de uma vez por todas. Disse que preferia esperar, caso você voltasse. Não havia outra saída senão condená-lo ao isolamento.
O início foi difícil. Quis se fazer de valente. Gritava tentando explodir a dor. Mas logo viu que não havia mais ninguém ouvindo. E quis poder saltar do mundo.
Agora passa a maioria de seus dias quieto. Dorme muito mas – coitado - é castigado pela honestidade dos sonhos, que insistem numa lembrança que a consciência tem a decência de esquecer.
De vez em quando enlouquece, recomeça a espernear e, mesmo passado o tempo, faz doer tanto quanto no início. Inventa planos, tenta escapar, encontrar caminhos que levem até você. Mas está preso na latência, cercado pelas barreiras do seu desencantamento.
Todo dia olha pela janela, à espera do resgate. Mas vai acabar morrendo de fome, desnutrido de esperança.