28.04.08
odeio gente sem humor
Não era dada a destemperos.
E tinha preguiça dos exagerados.
Mas quando descobriu que tinha perdido um grande amor achou, pela primeira vez na vida, que podia de embarcar no sofrimento.
Agora sim tinha motivo para chorar.
Chegou a ouvir: você não é assim.
Não, não era.
Mas achava que estava no direito de se oferecer aos clichês.
Escorregou pela parede do banheiro chorando,
olhou a chuva pela janela chorando,
assistiu a novela chorando.
Rasgou fotos,
escreveu textos,
berrou canções.
Fez uma tatuagem,
um blog
e serviço completo no salão.
Deixou transparecer a tristeza por entre a carapaça endurecida.
Não tinha costume de chorar suas pitangas ao alheio.
Não. Mas achava que estava no direito.
E de tanto direito virou uma chata
que seu próprio senso de ironia era incapaz de aturar
Ó mundo cruel: os amores acabam, as pessoas morrem, as crianças passam fome e o Bush é presidente dos EUA.
Paciência.
Nunca mais endosso a auto-comiseração.