17.09.07
Necrose
Hoje acordei pela manhã, peguei uma faca e amputei meu braço. Já necrosava há algum tempo mas era meu e eu o amava.
Levou embora o computador e o rock n´roll.
Me joguei na frente de um caminhão e abortei minhas certezas de médio prazo.
Puxei minhas tripas para fora, como num filme de zumbi de baixo orçamento. Pude sentir minha serenidade se esvaindo.
Atravessei um cabo de aço pelo meu corpo e torci, como se enxágua roupa.
Jigsaw style.
Ganhei metros quadrados de memórias espalhadas pela mobília.
Hoje tomei veneno. Forcei na minha boca o sabor amargo e o sentimento agonizante. Foi-se o aconchego dos dias frios e das noites tediosas.
Hoje, desfigurei meu rosto e construí uma escada para o abismo. Pulei e levei comigo os sonhos de alguém que me transformou.
Enfiei uma faca no meu peito e puxei com toda a força.
Hoje morri e virei pó. Para acordar dolorida em frente ao horizonte inalcançável.